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Tempo... ah, o tempo....

Dizem que o melhor remédio é o tempo. Outros dizem que o tempo é nosso inimigo, pois enquanto passa, apressa nosso encontro com a morte. Seja lá como for, o certo é que com o passar do tempo abordamos os problemas de maneira diferente.

Quando eu era pequeno, enfrentava e na maioria das vezes tentava fugir das situações embaraçosas.

Quando adolescente, enfrentava, mas talvez, não da melhor maneira, o que acabava ocasionando mais problemas.

Agora mais adulto, mas nem tanto, ainda enfrento os mesmos problemas, mas mudei em muito a forma com que os abordo, e com certeza isso tem sido o diferencial entre os tempos anteriores.

Com o tempo, se aprende que ninguém vale o nosso sofrimento, a não ser as pessoas que sempre sofrem por nós, nossos pais.

Com o tempo, percebe que se os pais dos nossos amigos que já partiram, os fizessem sofrer como de certa forma meus pais já me fizeram sofrer, certamente, hoje, estariam entre nós.

De certa forma, fico pensando, nunca fui tão grato aos meus pais como deveria e devo ter sido. Posso não ter o melhor dos caráters, mas não por culpa deles, culpa minha, por ser rebelde as vezes, mas o caminho foi mostrado.

Na boa, a gente vê que não dá o real valor pros pais, quando vê alguém que perdeu um dos seus, quando pequenino. E isso me parte, porque eu, e muita gente por aí, deveria ser melhor ainda com os pais.

No fim, todos somos iguais

Me flagrei mais uma vez analisando e pensando sobre o comportamento humano. Não sei o porquê de eu ficar intrigado com isso, mas realmente, fico incomodado sobre certas coisas.

Não quero me prolongar muito nesse post, serei bem objetivo, e vou compartilhar algumas questões que eu gostaria de ter resposta:
  • Qual é a importância do dinheiro na minha vida?
  • O montante disponível para gasto/consumo me faz melhor que você?
  • O meu valor/status social é definido pelo meu montante disponível?
Na boa, só tenho a lamentar por quem entrega a vida a alguém com esperanças de condicionar oportunidades melhores. Primeiro, porque quem faz isso é um incapaz. E não venha me dizer que pra ter uma formação decente precisa de dinheiro. Por incrível que pareça, os cursos mais conceituados não são os das universidades particulares, e sim os que funcionam nas precárias estruturas das universidades mantidas pelo governo.

Só Deus sabe o que eu queria escrever aqui pra expressar a minha indignação com a mentalidade de algumas pessoas, mas por motivos óbvios não irei aprofundar os pensamentos.

Eu adoro a palavra hipocrisia. Não tem palavra melhor pra definir as infinitas relações interpessoais baseadas nos interesses financeiros e de status social. Isso é que é hipocresia, amar alguém proporcionalmente a quantidade de imóveis, automóveis, salário mensal e por aí vai.

E sabe, tudo isso é uma questão de condicionamento. Essas pessoas são umas infelizes, estão "presas à matrix". Estão paralisadas em uma perspectiva, a perspectiva do dinheiro.

Olhem pela perspectiva de um andarilho. O cara vive andando pra lá e pra cá, sem dinheiro, vive basicamente pra comer e caminhar, não tem preocupação com o que vai acontecer amanhã, com trabalho, com o soldo mensal. É alguém que se livrou da matrix.

E no fim das contas, todos somos iguais, porque quando morrermos, independentemente de ser um juiz ou um andarilho, nossos corpos voltarão ao pó, e o que em uma vida ajuntamos, de nada valerá do outro lado do túnel.

DAER - Eles querem enganar quem?

Nós, estudantes universitários, usuários de transporte coletivo em regime de fretamento especial, estamos sendo alvos de freqüentes fiscalizações nas rodovias.

O DAER – Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem, órgão responsável pela implantação, construção, conservação – diga-se de passagem, que não tem a mínima capacidade para isso, visto o estado em que se encontram as rodovias que não fazem parte do programa estadual de concessão, as exploradas por pedágio – é também responsável pelo controle de tráfego no estado.

Quero chamar a atenção do caro leitor para um fato que vêm se agravando nos últimos meses. A fiscalização está tentando impedir a todo custo o deslocamento dos estudantes, que são transportados pela Maske Turismo, até a universidade em Santa Cruz do Sul.

Ora, uma autarquia não tem poder para legislar, criar normas e regulamentos que acabem por privar as pessoas dos seus direitos, como, no caso, o direito ao ensino.

Conforme disposto no artigo 205 da Constituição Federal:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Já o artigo 215 da Constituição da República dispõe o seguinte:

O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

Por isso, me atenho no pensamento que o Estado deve propiciar e facilitar o acesso de todos aos meios de ensino, de modo que todo cidadão possa se aperfeiçoar profissionalmente, intelectualmente e culturalmente.

Nesse sentido, qualquer legislação ou norma regulamentadora, deve ter em conta esse princípio característico do Estado Social.

Dessa maneira, o DAER, ao realizar suas ações de apreensão de veículos, acaba agindo de forma inconstitucional, pois, fere os artigos 5, 205 e 215 da Constituição Federal, privando os estudantes dos direitos de ir e vir, e do acesso ao ensino.

Também é berrante o fato da inobservância dos artigos acima citados em uma das exigências feita pelo então órgão fiscalizador. Querem limitar o acesso do estudante à universidade somente ao turno matriculado. Qual é o estudante que vai ter o pleno desenvolvimento do seu intelecto, se ficar preso somente às salas de aula? O estudante tem que ir além, tem de ler, pesquisar e ter acesso às estruturas oferecidas pela universidade em outros turnos.

Assim, o Estado ao invés de incentivar a prática do ensino, acaba por dificultar o acesso ao mesmo, desestimulando o transporte, aplicando severas multas às empresas transportadoras, que por vezes acabam desistindo do transporte, o que acaba em outra instância, impedindo o aluno se deslocar de uma cidade à outra para estudar, visto o alto preço das passagens com as empresas detentoras do direito de exploração de trecho rodoviário com linhas regulares.

O que causa maior estranheza ainda, também, é o fato de que em todos os âmbitos de consumo de bens, serviços e outros, serem estimulados a prática da concorrência. Coisa que o DAER desconhece. Uma empresa não pode prestar serviço de transporte em caráter de linha regular em um trecho concedido pelo departamento. Assim fica explícita a prática de monopólio, e pior, estimulada pelo Estado, que em outras frentes, condena energicamente tal prática.

Ora, se a concorrência estimula a melhor prestação de serviços e a melhor oferta, por que não tentam abrir os trechos concedidos às grandes empresas para outras, a fim de incentivarem uma melhor oferta de preços pelas transportadoras?

Estão querendo enganar quem?

Por onde anda o bom jornalismo?

Existem algumas coisas que realmente me tiram do sério, principalmente quando o assunto é a péssima qualidade da informação no noticiário da TV. Trata-se, ao meu ver, da ausência do bom jornalismo. Não é novidade a imprensa se valer de coisas fúteis para prender nossa atenção, sem que nos demos conta de que estamos no meio de uma guerra pela audiência. Uma guerra suja, silenciosa e covarde travada entre os meios de comunicação, com o intuito de adquirir mais investimentos publicitários; que tolhe nossas mentes e fere suscetibilidades sob a égide da liberdade de imprensa.

No tocante à liberdade de imprensa, gostaria de fazer uma observação particular, que julgo muito justa e oportuna: ela é recente e, infelizmente, pouco conhecida no Brasil. É lógico que em um “sistema democrático” – políticos e mídia adoram essas palavras mágicas – todos têm seus direitos assegurados, especialmente o da informação. Porém, em nossa história houve um período de estagnação, no qual a liberdade de pensar e divulgar idéias que confrontassem os que estavam no poder era crime, e punida severamente. Ouso afirmar que a liberdade de imprensa foi a maior vítima daqueles tempos turbulentos.

Mas passado o truculento período da Ditadura Militar, eis que a liberdade de imprensa retornou aos noticiários e, aos poucos, ganhou espaço. Ao meu ver uma coisa maravilhosa, não fosse um detalhe crucial: seria necessário aprender novamente o significado de liberdade antes de empregá-la na imprensa. Não ouso fazer censura, posando de moralista. Isso é coisa típica de quem carece de argumentos racionais para legitimar suas idéias e tenta suprir a ausência de argumentos pela imposição. É algo condenável, como condenável também é o alarde que a grande mídia faz em seus noticiários sobre temas polêmicos, explorando a miséria humana até a exaustão.

Um exemplo disso é o “Caso da menina Isabela”, brutalmente assassinada pelo pai e a madrasta. O fato foi amplamente, digo, exaustivamente divulgado, e nos mórbidos detalhes, muitas vezes empregando-se a linguagem emocional com o intuito de comover, afinal, isso dá mais audiência do que simplesmente informar. O tal “Caso”, transformou-se, para mim, em um espetáculo repleto de drama, e revolta, exaustivamente abordado por plantões até na porta da cadeia, expondo para toda uma perplexa e curiosa nação a face cruel de um pai e uma madrasta que mataram uma menina indefesa. Desde o início os suspeitos estavam sendo expostos à fúria da população, mesmo antes da conclusão dos laudos. A trama dessa triste novela chamada de “O caso Isabela” extrapolou a ficção e transformou-se na versão brasileira do seriado norte-americano “CSI”, com a imprensa a demonstrar como foi feita a perícia, de que forma chegaram às conclusões e etc. O fato é que por mais triste que seja a morte da menina Isabela talvez se saiba muito mais sobre ela e sua família, que das pessoas mais próximas a nós, como o desempenho dos filhos na escola, por exemplo.

Sinceramente, não sei o que pode ser mais assombroso, se a frieza dos criminosos ou a entrevista “exclusiva” com a mãe da vítima num domingo, dia das mães, para o programa “Fantástico”. É Fantasticamente horrendo esse espetáculo sensacionalista.

Para mim, liberdade não está dissociada da responsabilidade. A liberdade começa na observância dos deveres e não apenas dos direitos. Ignorar esse aspecto dentro da “liberdade de imprensa” que todo mundo fala, mas ninguém define, é fomentar práticas antiprofissionais que podem induzir ao erro e total deturpação dos valores vigentes na “sociedade democrática” – eis outro termo em voga, adorado pela mídia e pelos políticos.

Para entender como o abuso da liberdade de imprensa pode destruir as reputações nessa guerra insana entre meios de comunicação, admitamos a hipótese de inocência do pai e da madrasta da menina. Nesse caso, como se sentiriam essas pessoas que tiveram um ente querido arrebatado de seu convívio? Fossem acusados de seu assassinato, encarcerados e com a integridade física ameaçada por uma multidão que, incentivada pela insensatez das matérias sensacionalistas, exigia justiça, pressionando órgãos públicos para que rapidamente apresentassem um culpado? Como estaria a integridade moral dessas pessoas? Que diria a imprensa? Dispensariam o mesmo tempo gasto com as matérias sensacionalistas que os denegriram para inocentá-los, ou dariam a desculpa de que estavam exercendo o dever de informar?

Sinceramente, penso que liberdade e responsabilidade na imprensa devem ser palavras sinônimas. Perdoem-me se pareço pretensioso em minhas observações, mas ao meu ver, esses execráveis espetáculos só podem ser combatidos se junto à liberdade de imprensa pudermos exigir mais respeito aos seres humanos, mesmo os criminosos, e cobrando um posicionamento ético e responsável dos meios de comunicação. Essas são as características que só o bom jornalismo é capaz de realizar.

Agora, pra encerrar de vez o que penso de toda essa asneira que vejo na TV, pediria que se alguém visse o bom jornalismo perambulando por aí, pedisse-lhe para que retornasse urgentemente.

Luis Ângelo Rosso Vigil

O que é realidade?

O que é real? Para responder essa, devemos olhar a fundo os objetos. Cada objeto é composto de elementos, que por sua vez são compostos de partículas separadas por um enorme vazio, que por sua vez, em interações umas com as outras nos remetem à solidez dos objetos que vemos, tocamos, sentimos.

A relação do vazio com as partículas é infinitamente maior, e se pararmos para pensar, tudo o que vemos, o que tocamos, e sentimos, nada mais é do que um grande vazio.
A minha realidade é a mesma tua? Nossa capacidade de percepção do meio em que vivemos se limita a três dimensões (3D), altura, largura e profundidade.

Não consigo imaginar uma quarta dimensão, nem uma quinta e, muito menos uma sexta.
Então, o que é real? Somos a realidade, ou fazemos parte de outra realidade imperceptível à nossa conciência?

Nossa percepção é limitada por que fomos condicionados à vermos o meio como estamos acostumados ou por limitação física da nossa conciência?

Consciência, isso é o que nos distingue dos demais animais. Somos seres que vivemos além dos instintos. Como adquirimos o certo ou o errado? Condicionamento pelo meio, ou herança genética?

Se o que estamos vendo, visualizamos por condicionamento, então a escolha pelo certo e errado, é feita pelo condicionamento predestinado?

Descartes põe em dúvida toda a nossa percepção, e isso é amplamente explorado em Matrix, afinal, como pode ter certeza se o que vemos é o realmente o que estamos vendo, e não o condicionamento em nossa mente feito por algo externo?
Descartes põe em dúvida toda a crença adquirida pela percepção. Ele afirma:
"Tudo o que, até o presente, aceitei como mais verdadeiro e certo, fiquei sabendo pelos sentidos ou através deles. Mas posso provar que algumas vezes os sentidos me enganam, e que é sábio não confiar inteiramente em algo que já alguma vez nos enganou" (Medit I, 145). "Visto que os sentidos nos enganam algumas vezes, decidi supor que nada fosse como eles nos fazem imaginar" (Discurso, VI, HR, 100-101, apud Williams, 35) 3."

Qual seria o parâmetro que nos permita distinguir uma percepção certa de uma equivocada?
Em seguida, Descartes levanta uma segunda argumentação:

"Devo lembrar que sou um homem, e, como tal, tenho o hábito de dormir. Durante meu sono, freqüentemente sonho, e no sonho tenho impressões semelhantes às que pessoas insanas têm quanto estão acordadas, ou até mesmo mais prováveis. Quantas vezes já não me ocorreu, em sonhos, que eu estivesse em determinado lugar, vestido de tal maneira, sentado próximo à lareira, quando, na realidade, estava na cama, dormindo. No momento presente, realmente me parece que é com olhos despertos que vejo este papel, que a cabeça que movimento não está adormecida, que é deliberada e intencionalmente que estico meu braço e vejo minha mão. O que acontece durante o sono parece não ser tão claro e distinto como as impressões que estou tendo agora. Mas ao pensar sobre tudo isso eu me relembro de que, em muitas outras ocasiões, tive ilusões semelhantes, enquanto dormia. Examinando cuidadosamente essas lembranças, concluo que, manifestamente, não existem indicações certas pelas quais possa claramente distinguir as impressões que tenho, quando acordado, das que pareço ter, enquanto durmo, e fico confuso. E minha confusão é tal que sou quase capaz de me persuadir que no momento estou sonhando" (Medit I, 145-146, Aune 9-10).

Se temos falsas percepções no sono, como sabemos se estamos acordados? O que nos garante e nos permite saber se não estamos em um sono induzido e imaginando tudo isso?
Estamos vendo o mundo realmente como ele é, ou, de alguma maneira como fomos condicionados à vê-lo?
Será que cabe a máxima: "nem tudo é o que parece"?

Confuso? Imagina eu...